Exercício # 4 (Pablo Romart)

•02/04/2010 • Deixe um comentário

 

Teste: corpo e ilustração por Pablo Romart

Ensaio fotográfico: Darkland

•02/03/2010 • Deixe um comentário

Alta Costura

•01/31/2010 • Deixe um comentário

Corset na alta costura por John Galliano e Gaultier

Corset masculino na alta costura por John Galliano

Corset masculino na alta costura por John Galliano

Exercício # 3 (Pablo Romart)

•01/26/2010 • Deixe um comentário

Exercício #3 (CORVO): animação gráfica e trilha sonora.

A máscara

•01/06/2010 • Deixe um comentário

Fico intrigada com o mecanismo utilizado pela moda que é o de rever sistematicamente desejos, vontades, construções imagéticas, materializações de pensamentos formais a cada período de tempo.
Sempre fiquei. E isto me fez gostar muito mais de roupa do que de moda, da construção da roupa, do artífice que a faz, dos seus pedaços. Moda sempre me pareceu um molde temporário para desejos sociais e por ser temporário, nunca me trouxe confiança suficiente para que eu depositasse minhas expectativas.
É como se moda fosse uma máscara social que por um breve período de tempo toma para si a tarefa de explicar um pedaço de mundo, seus desejos, seus anseios e para onde este está caminhando. Põe máscara, tira máscara e assim o mundo vai construindo uma imagética. Como se a máscara/moda pudesse congelar por um breve período um movimento que estava sob a superfície do visível e assim, transformar.
A máscara de Darkland já existia em Ray Caesar. Comecei a pensar tudo isto por conta da música que toca no site dele: Erik Satie. Consta que Satie também era intrigado com moda, tanto que, ao morrer, deixou em seu guarda-roupa apenas uma veste, inteira. Camisa, calça, paletó, chapéu, meia, sapato. Tudo cinza e repetidos doze vezes cada um. O que ele queria mesmo era ter uma única máscara, trocada todo dia, mas mesmo assim, uma máscara que não andasse espiando os desejos do mundo, que não tivesse a pretensão de dar conta e congelar pensamentos e imagens de um mundo em constante mutação. Ele queria mesmo era que esta máscara tivesse o papel contrário a isto, de ser sempre a mesma e igual.
Em Darkland a máscara expõe alguma coisa de indizível, uma ranhura no muro, sutil. Ela está lá só para dizer que a bailarina em seu tutu disfarçado, em sua sapatilha ampliada, carrega outras coisas de outros mundos que não estão tão visíveis assim.

Escrito por Karlla Girotto

Criação de croquis: Karlla Girotto

Exercício # 3 (Pablo Romart)

•12/09/2009 • Deixe um comentário

O desenho do corpo no espaço

•12/03/2009 • Deixe um comentário

Desfile "Brecha" de Karlla Girotto

Toda existência, de uma maneira ou de outra, é guiada por um imaginário, fio condutor de perguntas, vontades e em alguns casos, de exteriorizações: um trabalho, um movimento, um gesto, um vocabulário ou o que a imaginação incluir como resultado.

Para o meu imaginário, aquele primeiro, quase infantil, o importante era entender como se pode atestar, afirmar mesmo, que uma pessoa existe. Além do que eu via, é claro! De que jeito? Pegando, tocando, esperando a pessoa falar, vendo a sombra dela? E foi assim, com essas incongruências entre ver e ser real, que eu cheguei a um entendimento sobre a roupa: algo que delimita o existir no espaço para além do corpo. Ou expande, transforma, cria novas maneiras de existir.  Entendimento que me fez ter vontade, durante algum tempo, de extrapolar a roupa como objeto de vestir e transformá-la em desenho espacial do corpo, como se com isto o corpo ganhasse certa autoridade para existir.

Ao querer escrever sobre o processo que está se construindo em Darkland, minha memória afetiva me traz estas primeiras impressões sobre corpos e roupas, pensadas, questionadas e formuladas lá atrás, em um tempo quase antigo para mim.

Como desenhar corpos em constante movimento e que desafiam o princípio da inércia apenas com suas existências? Como vesti-los? O que fazer com suas existências espaciais? Essas são perguntas que tenho feito a mim mesma.

E a partir dessas indagações o aparato estético foi ganhando força e visualidade. Para responder essas questões e até contrapô-las. Então as três peças que já pertenciam ao universo estético pesquisado, o do artista Ray Caesar, tornaram-se fundamentais: a máscara, o corset e o sapato.

Hoje, vou falar sobre o corset.

Referência normativa de elegância e ícone máximo de uma determinada época, o corset funciona ao mesmo tempo como mediação e símbolo do poder transformador impingido ao corpo.

Em sua dimensão mais palpável indica através da representação do corpo juntamente com os manuais de conduta das cortes, o tipo de sociedade que o criou, a fim de desenhar uma postura condizente com a nobreza e afetação vigentes. É a arte da excelência corporal, quase uma arte da representação conduzindo os movimentos de maneira a se mecanizarem e perderem qualquer conexão com a gestualidade cotidiana.

Na tentativa de responder as minhas próprias perguntas feitas acima, subjetivo o uso do corset como objeto de impasse.

Se os corpos dos quais falo não se relacionam com o mundo de maneira habitual o corset também não se relaciona com nossa sociedade, nossa época de existência. Há tempos deixou de fazer sentido. Os corpos passaram a ser desenhados de outra maneira, esculpidos em academias, desnutridos em regimes e tantas outras maneiras contemporâneas de tratar esta questão. Então, porque o corset? Porque de alguma maneira ele me traz calma e tranqüilidade frente a tanta movimentação. Ele coloca termo em algo desmedido e aparentemente desenfreado: um corpo que dança! Ele coloca um eixo de orientação, algo no qual posso me apoiar para poder pensar o restante. Ao enrijecer a cintura ele conduz toda a movimentação para um eixo egoísta, construído em torno dele mesmo e delimita um espaço de existência. E assim, talvez egoisticamente também, as perguntas do meu fio condutor imaginário se calem e eu possa trabalhar.

Escrito por Karlla Girotto

Experiência#2 (Corset)

•12/02/2009 • Deixe um comentário

A respiração começou a acelerar, por pouco faltou ar, mas consegui me acalmar durante as pausas entre um movimento e outro. Essas foram as primeiras sensações que eu tive quando a Júlia vestiu o corset em mim hoje. Senti como se tivesse vestido uma armadura ou rigidas costelas na sua mais surpreendente exposição, prontas para o embate com o movimento, ou a falta dele…

Relato de Aline Bonamin

Exercício # 2 (Pablo Romart)

•11/28/2009 • Deixe um comentário

Experimentação em animação / stop motion sobre movimento investigado em Darkland. Estudo de texturas, traços e movimento dos corvos realizado pelo artista gráfico Pablo Romart.

Obs: essa animação foi realizada a partir de 4 fotos.

Corset

•11/26/2009 • Deixe um comentário

corset da Madame Sher

Será que erramos? Todas as janelas do prédio estão fechadas neste final de tarde, início da noite. Estamos numa das avenidas mais movimentadas da cidade de São Paulo, e – ao menos para quem vê esta antiga construção por fora – parece não há mais ninguém no endereço que temos em mãos.  Mas havia alguém ali.

Passando pela recepção do conjunto que procurávamos, a sensação inicial é que adentramos num outro tempo. O papel de parede, os móveis, a cortina, tudo parece remeter à aristocracia européia antes da Revolução Francesa. Ou – o que é mais surpreendente – ao artista que é centro de nosso trabalho agora, Ray Caesar. Não, nós não tínhamos errado. Na verdade, parecia que não poderíamos estar mais certos.

Quem nos recebeu é uma mulher de 28 anos. Seu nome é Leandra, mas preferimos chamá-la pelo apelido, Sher, que combina muito mais com tudo que está ali. O nome veio de uma abreviação de um outro apelido, relacionado à transparência, e sugere poeticamente uma combinação entre “she” e “her”. Ela tem a pele muito branca, o cabelo preto liso, roupas pretas, e um pequeno corset que desenha sua cintura.

Ali é a sede da grife dela, chamada apropriadamente de Madame Sher (um pronome de tratamento que já indica bem o universo em que estamos). É a primeira grife que fabrica corsets no Brasil, um espartilho rígido usado entre o busto e a cintura, e que é usado para modelar a cintura das mulheres.

Sher nos conta num português impecável (coerente com sua postura, seu gestual, sua roupa e seus adereços), a história do corset: desde que surgiu na história da moda, no século XVI,  até seu uso em figurinos de inspiração punk, BDSM e afins. Atualmente, no Brasil, a fama de sua loja ultrapassou os segmentos, e há clientes dos mais variados estilos.  Uma visita ao seu site já dá uma idéia da sua difusão hoje: seus corsets estão em editoriais e anúncios com Gisele Bündchen e Juliana Paes, em cantoras como Zizi Possi, em revistas como Vogue e Sexy, e em matérias para programas de TV, como o “Superpop” (de Luciana Gimenez, na Rede TV) e “A Noite é uma criança” (de Otávio Mesquita, na Band), entre outros.

Tanta difusão tende a levantar fumaça sobre alguns dos aspectos mais interessantes do corset no Brasil. Segundo Sher, quando ela começou a fabricar essa peça, muitos de seus compradores eram ligados ao universo do fetichismo (que é uma dimensão do erotismo presente em “Darkland”). Um assunto que não tem pudores em tratar, tal como ela mesma diz e mostra (para não deixar reticências sobre isso, e desfazer meias palavras diante de tabus, ela apresentou-nos um chicote de dominatrix, que guarda no armário de sua sala de recepção).

A palavra “fetichismo” originalmente tem a ver com “feitiço”, isto é, com a magia que se atribui a objetos inanimados (tal como viu Charles De Brosses no século XVIII). Num espetáculo que trata – como bem observou Alejandro Ahmed, numa conversa com a Vitrola Quântica -  de sujeitos que querem ser objetos, e objetos que querem ser sujeitos, nada mais a ver.  É isso que ele bem viu, sem dúvida, e também – tal como pretendemos ainda investigar – o fetichismo no seu sentido erótico.

Para não voar, ou adiantar demais nesse momento, basta pensar que o erotismo pode ter uma íntima ligação com um corset: numa relação sado-masoquista, por exemplo, o dominador pode punir seu submisso com o uso de uma peça como essas, assim como também pode resolver usá-la, ainda que seja por puro ornamento. Um teatro de poder e sexo, que pode envolver a modificação do corpo.

Aliás, a relação entre corpo e corset, como lembra Sher, é levada quase ao limite numa outra prática, o “tight lacing”. A primeira vez que ouvi falar disso foi numa entrevista que fiz anos atrás com Karina Raquel, a Fascinatrix, que estrela pocket shows burlescos inspirados nas pin ups, nos anos 40, em Dita Von Teese, e muito mais.

Em linhas gerais, o “tight lacing” é a prática de usar corsets por um longo período, com o objetivo de curvar em definitivo as costelas flutuantes, e reduzir a cintura. Uma prática instigante para refletir sobre as influências do corpo sobre a moda, e da moda sobre o corpo, que são algumas das questões da Vitrola Quântica.

imagem retirada da internet

As bailarinas da companhia já haviam usado o corset em alguns ensaios, e também num primeiro vídeo gravado para o Rumos Itaú, por sugestão da estilista Karlla Girotto, responsável pelo figurino de “Darkland”. Como já dissemos, ela já tinha utilizado esta peça no seu desfile inspirado em Ray Caesar, e foi graças a ela que chegamos à grife que visitamos.

No seu atelier, Sher tirou as medidas das bailarinas – cujas cinturas já são desenhadas pela própria dança – e apertou-as com vários modelos de corset. Dentro de alguns dias, elas vão receber novos corsets, desenhados especialmente para elas pela própria Karlla, e confeccionados na Madame Sher.

Assim, mais um mundo de investigação se abre para o movimento em “Darkland”. Com as cinturas apertadas, as bailarinas descobrem novos percursos, novas sensações, novas “lands” dentro e fora de si mesmas.

Escrito por

Daniel Augusto